"Não são as coisas bonitas
que marcam nossas vidas
mas sim as pessoas que
têm o dom de jamais
serem esquecidas!"


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Quarta-feira, Novembro 30, 2005








por Solange Gardesani Luz

AUMENTANDO AS BOAS ENERGIAS





2006: novo ano, novas energias. Um ano que será regido por Saturno, cujo elemento é terra, portanto um ano cujo uso de Cristais será extremamente benéfico.

O nosso país é um dos maiores centros com formações de cristais do planeta, então por que não aproveitar este grande instrumento para melhorar nossa vida em 2006?

Lembrando, a palavra Cristal deriva de krystallos (que em grego significa gelo). Existem grandes quantidades de cristais em áreas ocas, pois são áreas que proporcionam liberdade para seu crescimento dentro da terra.
São utilizados em práticas médicas como talismãs ou amuletos e para a proteção de pessoas, ambientes, meditação, para desenvolver a intuição, equilibrar o corpo físico e as emoções, etc.

As Turmalinas



Uma das mais belas e completas pedras.
Possui a capacidade de elevar a vibração do que estiver ao redor, sua formação com linhas paralelas perfeitas, tornam-se transmissoras de energias positivas de forma potente. São grandes transmissoras de vibrações nobres e escudos protetores.
Podemos usá-las em meditações (experimente relaxar e colocar uma pedra sobre seu chacra do coração), jóias como colares, gargantilhas, pingentes e anéis (menos a preta).


Cores: melancia, rosa, verde, azul e preta


MELANCIA: bicolor lembra uma melancia em sua coloração geralmente rosa em seu interior e verde externamente. Com a sua composição de rosa e verde, nos favorecerá em 2006 a energia curativa do verde, a auto-estima, compaixão e o amor do rosa. Gera equilíbrio de forças espirituais e materiais. Atua no chacra cardíaco (coração).


ROSA: também conhecida como Rubelita, excelente para trabalhar os sentimentos, trazendo as emoções mais elevadas, favorece a auto-estima e a compaixão. Ajudará a liberar velhos padrões negativos através do amor. Atua no chacra cardíaco (coração).


VERDE: também conhecida como Verdelita, uma das pedras mais usadas em trabalhos energéticos que envolvam cura. Fortalece e purifica o sistema nervoso e imunológico. Colabora no combate ao cansaço e envelhecimento. É também conhecida como uma ótima pedra de prosperidade. Atua no chacra cardíaco (coração).


AZUL: também conhecida como Indicolita, atua no chacra frontal (localiza-se entre as sobrancelhas), Estimula a concentração e meditação, fisicamente colabora na visão e audição. Favorece ampliar a visão espiritual e assim facilitar percepção do que não serve mais e mostrar novas perspectivas.


PRETA: uma das pedras mais utilizadas para proteção, pois desvia as energias negativas sem absorvê-las. Colabora em processos de cura em doenças que atacam o sistema imunológico e doenças debilitadoras. Esta pedra não deve ser usada com jóias como colares, pingentes, gargantilhas, mas pode-se usá-la em anéis.


Sempre que for usar uma pedra faça uma limpeza energética que poderá ser com água e sal grosso, ou no incenso, ou na terra, ou no sol, ou na lua, ou com mantra (escolha o método que você tenha maior afinidade). Sempre que for usar uma pedra faça uma programação, isto é, coloque sua intenção, o seu desejo (paz, prosperidade, equilíbrio, amor, clareza, bem estar, etc).







As cores presentes em nossas vidas colaboram e muito para o nosso bem estar. Em 2006 será fundamental dar um colorido especial em nossas vidas, vamos utilizar as cores com intenção, seja na roupa, na alimentação, etc.


VERDE: este ano em especial o verde terá uma função primordial de facilitar o nosso equilíbrio físico. Temos que cuidar do nosso corpo e lhe dar a atenção necessária. O verde está relacionado ao chacra cardíaco, a imunidade e ao nosso equilíbrio físico. É também uma cor que traz a prosperidade. Está ligada ao chacra cardíaco.


ROSA: a cor do amor incondicional é a cor que colabora em nosso equilíbrio emocional. Será fundamental neste novo ano trabalharmos a nossa auto-estima, nosso auto-amor, afinal, sabemos que as maiorias das doenças são somatizações, isto é, emoções mal resolvidas ou não resolvidas que se transformaram em doenças. É priorizando o equilíbrio de nossas emoções que saberemos lidar com as dificuldades e aproveitar muito mais as facilidades. Também está ligada ao chacra cardíaco.


AZUL: uma cor fria que colabora na concentração. Amplia a nossa visão do mundo, fazendo ver saídas e novas perspectivas. Favorece a clareza de nossos padrões, valores e dons. Esta consciência favorecerá aproveitarmos todas as oportunidades que teremos e criar novas. Também é uma cor de limpeza energética. Esta cor está ligada ao chacra frontal (entre as sobrancelhas), a visão e audição. Como iniciaremos o ano em um domingo o que representa na Fraternidade Branca a regência do Raio Azul da ação e proteção.


PRETA: para os orientais uma cor de prosperidade. A cor representativa de Saturno, o regente astrológico de 2006. Usada como proteção deve-se ficar atento ao seu uso. Ao mesmo tempo em que protege se usada em demasia pode causar depressão.


DOURADO: a cor do ouro, o nosso metal mais nobre. Seu brilho lembra o sol, a nossa maior estrela. É a cor do Chi, Ki, Prana, da energia vital. É a cor da prosperidade. O uso mais freqüente é no chacra coronário, no topo da cabeça favorecendo a nossa conexão com o mundo espiritual. Como iniciaremos o ano em um domingo o que representa na Astrologia a regência do Sol, com sua vitalidade e seu brilho.


Tenha um 2006 colorido e de grandes manifestações!






Sexta-feira, Novembro 25, 2005






OS SENTIMENTOS DA MÚSICA



"É possível expor os fatos que os sentimentos íntimos provocam, defini-los, descrevê-los, mas, os sentimentos, esses se conservam inexplicados. A música pode provocar sentimentos diferentes em cada pessoa porque as mesmas causas geram efeitos contrários. Em física isto não existe, mas em metafísica existe. Existe, porque o sentimento é propriedade da alma e as almas diferem de sensibilidade entre si, de impressionabilidade, de liberdade. A música, que é a causa segunda da harmonia percebida, penetra e transporta a um, deixando frio e indiferente a outro. É que o primeiro se acha em estado de receber a impressão que a harmonia produz, ao passo que o segundo se acha em estado oposto: ele ouve o ar que vibra, mas não compreende a idéia que lhe traz. Este chega a entediar-se e a adormecer, enquanto que aquele outro se entusiasma e chora. Evidentemente, o homem que goza as delícias da harmonia é muito mais elevado, mais depurado, do que aquele em quem ela não logra penetrar. Sua alma, mais apta a sentir, desprende-se mais facilmente e a harmonia lhe auxilia o desprendimento, transporta-a e lhe permite ver melhor o mundo moral. Deve-se concluir daí que a música é essencialmente moralizadora, uma vez que traz a harmonia às almas e que a harmonia as eleva e engrandece".




O PODER OCULTO DA MÚSICA

Atualmente a ciência, sobretudo no campo da medicina e da psicologia, vêm redescobrindo verdades e conhecimentos que os antigos sábios detinham sobre o poder oculto da música.

Hoje sabemos que basta estarmos no campo audível da música para que sua influência atue constantemente sobre nós, acelerando ou retardando, regulando ou desregulando as batidas do coração; relaxando ou irritando os nervos; influindo na pressão sanguínea, na digestão e no ritmo da respiração, exercendo alterações sobre os processos puramente intelectuais e mentais.

Modernos pesquisadores estão começando a descobrir que a música influi no caráter do indivíduo e, ao influir em seu caráter, significa alterar o átomo ou unidade básica - a pessoa - com a qual se constrói toda a sociedade.

Os grandes sábios da China antiga até o Egito, desde a Índia até a idade áurea da Grécia acreditavam que há algo imensamente fundamental na música que lhe dá o poder de fazer evoluir ou degradar completamente a alma do indivíduo e, desse modo, fazer ou desfazer civilizações inteiras.

Assim, "uma inovação no estilo musical tem sido invariavelmente seguida de uma inovação na política e na moral", conclui um estudioso moderno.



A HARMONIA COLOCA A ALMA SOB O PODER DE UM SENTIMENTO QUE A DESMATERIALIZA
(Gioachino Rossini)



"Visto que nos encontramos neste estado degradado de imperfeição moral, será melhor sermos práticos, harmonizarmos nossa música e, pelo mesmo processo, começarmos a compor uma nova e melhor forma de arte. Uma arte de acentuada sublimidade poderá, por si só, levar-nos de volta aos céus."
(Bach)



"Sinto-me obrigado a deixar transbordar de todos os lados as ondas de harmonia provenientes do foco da inspiração. Procuro acompanhá-las e delas me apodero apaixonadamente; de novo me escapam e desaparecem entre a multidão de distrações que me cercam. Daí a pouco, torno a apreender com ardor a inspiração; arrebatado, vou multiplicando todas as modulações, e venho por fim a me apropriar do primeiro pensamento musical. Tenho necessidade de viver só comigo mesmo. Sinto que Deus e os anjos estão mais próximos de mim, na minha arte, do que os outros. Entro em comunhão com eles, e sem temor. A música é o único acesso espiritual nas esferas superiores da inteligência."
(Beethoven)



O presente estudo pretende refletir sobre a influência que a música, assim como as artes em geral, exerce sobre o comportamento espiritual do ser humano.





Sexta-feira, Novembro 18, 2005






A EVOLUÇÃO DA FORMA



Toda forma que vês
tem seu arquétipo no mundo sem-lugar.
Se a forma esvanece, não importa,
permanece o original.



As belas figuras que viste,
as sábias palavras que escutaste,
não te entristeças se pereceram.



Enquanto a fonte é abundante,
o rio dá água sem cessar.
Por que te lamentas se nenhum dos
dois se detém?



A alma é a fonte,
e as coisas criadas, os rios.
Enquanto a fonte jorra, correm os rios.
Tira da cabeça todo o pesar
e sorve aos borbotões a água deste rio.
Que a água não seca, ela não tem fim.



Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti,
para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode ser isto segredo para ti?



Finalmente foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo; um punhado de pó
vê quão perfeito se tornou!



Quando tiveres cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.
Passa de novo pela vida angelical,
entra naquele oceano
e que tua gota se torne o mar
cem vezes maior que o Mar de Oman.



Abandona este filho que chamas corpo
e diz sempre Um; com toda a alma.
Se teu corpo envelhece, que importa?
Ainda é fresca tua alma.



Jalal ud-Din Rumi
Poeta e místico sufi do século XIII
(Poemas Místicos, Ed. Attar, 1996)





Segunda-feira, Novembro 14, 2005








Hellow Friendssss!!!


Em virtude de grande atribulação que está acometendo minha vida, felizmente para bem, não disponho mais de todo tempo usado, com imenso prazer, claro, pois todos sabem o quanto adoro realizar este trabalho, em buscas de fotos, mensagens, imagens, músicas, além de atenção e resposta aos e-mails, e, em minhas participações diárias no chat, msn, enfim, tudo o que compõe esse gostoso espaço virtual.

As fotos recentes dos posts publicados aqui, em sua maioria, são resultados de buscas na net e, principalmente, de álbuns do orkut, que, com um pouquinho de criatividade e muito carinho. as torno viáveis para posts. Mas, no momento, essa fonte está esgotada. Em vista disso, a procura exigiria um tempo ainda maior, o que, minha situação atual não permite.

Diante disso, este espaço passará a ser atualizado somente quando houver eventos que a Manu participe e quando ela tiver fotos para disponibilizar. Também tenho consciência de que as visitas ao blog não acontecem pelas mensagens que são publicadas... hehe, que apenas complementam os posts, e acredito, também tem algum efeito positivo a quem as absorve, mas sim, para acompanhar o trabalho e as notícias que nos são acessíveis pela mídia e pela própria Manu, e, principalmente, por suas participações no chat, que constituem um pequeno mas substancial contato com as pessoas que a admiram e para quem esse pouco representa muito ou praticamente tudo, no sentido de cultivar essa bonita amizade e o carinho que trocamos. E isso poderá continuar transcorrendo normalmente.

Quero deixar claro, que continuarei me dedicando a esse trabalho, com o mesmo amor, tanto à Manu como a todos vocês, dentro do tempo que me for permitido, sempre que houver material para manter o blog ativo e certamente em datas especiais. E todas as vezes que puder, estarei deixando meus recadinhos a vocês.

Aos amigos que desejarem colaborar, quando tiverem informações de fotos e notícias em sites afins, agradecerei se puderem enviar pelo e-mail do blog (que estarei verificando sempre que possível), a informação do endereço.

Grande beijo da mamy, já morrendo de saudades... hehe, a todossss!!!





Excelente semana, galeraaaa!!!






Sexta-feira, Novembro 11, 2005






A IDIOTICE É VITAL
(Arnaldo Jabor)



A idiotice é vital para a felicidade. Gente chata essa, que quer ser
séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que
fazermos dela, ainda por cima, um tratado?



Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes,
separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que
o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela
cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.



Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro,
sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu
melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com
alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue
rir quando tropeça? Ahahahahahahaha...

Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia
de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz
que você não vai ao cinema?



É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí,
o que elas farão se já não têm por que se desesperar?

Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer?
Espero que não.

Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... A realidade já é dura;
piora, se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu?



Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar
com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar
descalço, não tomar chuva. Pule corda!

Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e
lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida -
e esse é o pânico "não" realmente aceitável. Teste a teoria. Uma
semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o
que realmente são: passageiras...



Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e
transmitir isso adiante ou sorrir... Bom mesmo é ter problema na cabeça,
sorriso na boca e paz no coração! Aliás, entregue os problemas nas mãos
de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?



"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante,
chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se
feche".





Terça-feira, Novembro 08, 2005






OS SETE SAPATOS SUJOS
(Mia Couto)



O escritor moçambicano, Mia Couto, também licenciado em Medicina e
Biologia, fez uma oração de sapiência, em 7 de Março, na abertura do ano
letivo do Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique.
Excertos desta oração foram publicados no Courrier Internacional, nº. 0,
de 2 de Abril.
Destacamos, "Os Sete Sapatos Sujos".


"Não podemos entrar na modernidade com o atual fardo de preconceitos.

À porta da modernidade precisamos nos descalçar.

Eu contei Sete Sapatos Sujos que necessitamos de deixar na soleira da

porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete

é um número mágico:



Primeiro Sapato - A idéia de que os culpados são sempre os outros.

Segundo Sapato - A idéia de que o sucesso não nasce do trabalho.

Terceiro Sapato - O preconceito de que quem critica é um inimigo.

Quarto Sapato - A idéia de que mudar as palavras muda a realidade.

Quinto Sapato - A vergonha de ser pobre e o culto das aparências.

Sexto Sapato - A passividade perante a injustiça.

Sétimo Sapato - A idéia de que, para sermos modernos, temos de imitar

os outros."





Sexta-feira, Novembro 04, 2005






História natural

(Max Mallmann)



Quando as outras moléculas começaram a se agrupar, eu avisei que não ia dar certo. Alguém me ouviu? Claro que não. Talvez o fato de que nenhum de nós possuísse ouvidos naquela época deva ser considerado atenuante para a presunçosa desatenção deles. E, depois de algum tempo, para que não me chamassem de antiquado, misantropo ou démodé, também eu me agrupei. E nos transformamos em células.



A vida de célula não era má. Era até, na verdade, bastante agradável, embora tenha sido um pouco complicado, para mim, assimilar o conceito de dentro e fora. Mas a invenção das membranas acabou tornando mais fácil distinguir quem era eu e quem era o resto do mundo. A parte que eu mais gostava, nesses tempos de célula, era a divisão celular. Era um ato que começava solitário, quase masturbatório, até que, num orgiástico romper de membranas, eu me tornava dois. Então nós dois virávamos quatro. E, antes que nos déssemos conta, nós quatro já éramos quatrocentos trilhões. Uma festa. Só que daí alguém voltou com aquela velha conversa de se agrupar. Já não estávamos agrupados o suficiente? Avisei, de novo, que não ia dar certo. De novo, ninguém me ouviu. De novo, acabei seguindo a maioria. E me tornei organismo multicelular.



Vendo a coisa em retrospecto, não posso dizer que tenha sido um mau negócio. Há um certo prazer lúbrico na vida multicelular. Meu principal passatempo, naquela época, era o cultivo de apêndices externos. Flagelos natatórios, tentáculos, barbatanas, uma infinitude de protuberâncias capazes de balançar para lá e para cá. Porém o apêndice externo mais divertido de todos, sem dúvida, era o pênis. Não ajudava nem um pouco na locomoção, mas era ótimo para penetrar nos orifícios dos outros organismos multicelulares. Sim, foi quando descobrimos o sexo. Ficamos durante milhões de anos trepando como loucos no fundo do mar, sem que ninguém nos incomodasse, até que um daqueles chatos cheios de opiniões sugeriu: "E se a gente fosse para a terra firme?". Mais uma vez, avisei que não ia dar certo. Foi inútil. Ninguém me ouviu, apesar de quase todos nós já possuirmos ouvidos ou algo semelhante. Decidi acompanhar um bando de imprudentes nessa aventura maluca, só para ver a confusão que eles armariam. Acabei rastejando na areia quente, debaixo de um sol que me torrava as escamas.



Que tolo eu fui, quando me condenei à eterna indecisão da vida de anfíbio. Nostalgia é uma palavra salgada, como o mar que me viu nascer. E foi num ímpeto de autodefinição, numa busca sôfrega por alguma identidade mais sólida, que acompanhei os outros rumo ao interior daquela imensidão de terra. Quando me dei conta, já era um dinossauro.

Não me senti feliz como dinossauro. Eu ainda sofria de saudades da existência simples de molécula inorgânica. Nós, dinossauros, éramos uma estirpe mutável e quase tão indecisa quanto os anfíbios. Não éramos lagartos. Não éramos mamíferos. Aliás, naquela época desprezávamos os mamíferos, aquelas asquerosas bolas de pelo com rabinhos cor-de-rosa. Substituímos a pele lisa de anfíbio por uma casca grossa cheia de penas. Sim, penas. Éramos todos empenachados, até os mais ferozes e carnívoros, embora ninguém soubesse para o que serviam as penas. Até que algum engraçadinho espalhou o boato de que as penas serviam para voar. E viramos todos aves.

Eu sempre odiei voar.



Hoje vivo numa gaiola, na área de serviço de um apartamento no décimo segundo andar de um prédio na Avenida Atlântica. Meu dono, que ironia sádica, é um mamífero. Ainda não pude constatar se ele tem um rabo cor-de-rosa, mas sei que ele não é mais uma bola de pelo: ficou careca aos vinte e cinco anos.

A forração de jornal da minha modesta prisão muda todo dia. As notícias e editoriais me deixam aterrorizado com o que acontece no mundo.

Minha única alegria, nesta vida gradeada, é bradar sem descanso, em linguagem de canário, a todas as formas viventes que possam me escutar, a todos aqueles ambiciosos, lunáticos, porraloucas e descompensados que decidiram abrir mão da pacata existência molecular para poluir o mundo com o milagre da vida: eu avisei, não avisei?




MAX MALLMANN nasceu em 1968, em Porto Alegre (RS). Em 1997, recebeu o prêmio Açorianos, concedido pela secretaria de cultura de sua cidade natal. Seu romance Síndrome de quimera, publicado pela Rocco, foi finalista do prêmio Jabuti em 2001 e foi vendido em 2003 para uma editora francesa, a Éditions Joëlle Losfeld. Zigurate ¿ Uma fábula babélica é o quarto livro de sua carreira como escritor, iniciada em 1989. Casado com a também escritora Adriana Lunardi, Max Mallmann atualmente mora no Rio de Janeiro e trabalha como roteirista da TV Globo ¿ são dele a novela "Coração de estudante" (2002) e episódios da soap opera adolescente "Malhação" (2001/2002).